terça-feira, 17 de maio de 2011

fire in the hole!

Vou riscar da parede Teu nome
Para não permitir que o usem em vão
Gritar para o mundo orações silenciosas
Para ensurdecer ouvidos entupidos de mentiras
Sufocar as vozes esganiçadas que berram
Mentem, inventam e aventam coisas Tuas
Vou queimar as bandeiras, insígnias e templos
Tudo que remeta às verdades forjadas
Implodirei colunas erguidas sobre calúnia
Com a fúria que consome os séculos

Tudo o que não for puro e sublime perecerá
Tudo o que não for puro e sublime perecerá

Correrei nos campos tecidos pelas Tuas mãos
Carregando comigo só o que me Deste
Vivendo no mundo que me Deste
Da maneira como me Guiares

Tudo o que não for verdadeiro perecerá
Tudo o que não for verdadeiro perecerá

Darei graças pela vida a cada dia
Erguerei minha casa sobre a rocha
Nutrirei meus filhos com Tua glória

A vida frutificará conforme tua vontade
A vida perecerá conforme tua vontade

Eu perecerei, graças a Ti, eu perecerei
Me será a dada a glória mortal do fim
E até lá, esta é única certeza que me dás.

É isso mesmo?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quão Besta sellers fui

A visão das capas sempre muito bem ilustradas, estrategicamente exposto perto de caixas de supermercado e bancas de revista, papel de boa qualidade e um encadernamento igualmente caprichado, sempre foram uma tentação para mim, é verdade. Mas, quando pensava na quantidade sempre crescente de leituras que preciso e quero realizar tais como os clássicos, autores canonizados, sem falar das leituras técnicas. Nesses momentos de tentação, meu DOPS censurava: esse Best seller de aparência e fama atraente fica pra depois, pra um dia, quem sabe. Para o feriado do dia de São Nunca, muito provavelmente.
Pude então me dar conta que a leitura de um livro se configurava entre os muitos itens desencadeadores e propulsores de meu furacão de neurose e inércia. Instituí em meu sistema interno auto-regulador e tirânico que se fosse ler que lesse algo realmente bom. Algo com um valor realmente artístico, inegavelmente literário, pouco acessível, como que por uma imposição minha a mim mesmo, aprisionado em uma cela perdida em meu DOI-CODI particular, onde a regra era que a busca pela literatura, não seria só um prazer, mas, também uma obrigação. Mas, um dia me perguntei o por quê.
Onde está escrito o que é literatura e o que não é? Ainda não consigo definir e ficar com um discurso emprestado simplesmente por ter o que fixar em determinações internas, por hora, não me parece algo que realmente constitua um pensamento e mais ainda, uma verdade que eu possa ferrar em minha colcha de retalhos de couro curtido. Agora o que me importa é o prazer, seja assistindo a um programa de auditório, seja assistindo a uma das pérolas de Makhmalbaf. Aliás, por falar em cinema, lembro de um exemplo que vem bem a calhar: Godard é tudo, não é? Pode ser, mas, eu ainda não enxerguei esse “tudo”. Não estou pronto pra ele. Hoje, o prazer que Coppola me causa, por exemplo, isso sim é tudo, o meu tudo, pelo menos uma parte dele. E é exatamente neste ponto que encontrei um grande valor, o do reconhecimento da verdadeira experiência estética como sendo aquela que realmente faz valer o significado deste conceito e não aquilo que antes era minha lei, a qual rezava que o que já foi canonizado é que será o melhor independentemente dos olhos e do coração que a “consome”.
Há alguns anos, comprei numa feira de livros um exemplar português de “O livro do desassossego”, de Pessoa. Naquele momento eu tentei me entender com ele, mas, o fascínio não aconteceu. A narrativa não explodiu à minha frente e adiei a leitura. Lembro que me senti muito frustrado e, devido ao meu próprio desassossego– ainda no curso de letras – resolvi conversar com um professor o qual me ensinou que precisamos dar chance ao livro e não largá-lo logo. Dessa lição, aprendi que muito mais que dar chance ao livro, precisamos dar chance à voz de nosso coração poder dizer se aquele livro é adequado ou não naquele momento.
Tal reflexão me veio quando, depois de ter assistido ao filme Marley e eu, com o qual Roberta e eu ficamos bastante emocionados, resolvi comprar um exemplar do livro por nove dinheiros em uma liquidação do submarino. O tempo para iniciar a leitura foi enorme, vários meses. Hesitante e sob a sugestão mais que valiosa de meu amor, resolvi então iniciar. Uma surpresa: me apaixonei.
Surpreendido, e ainda sob o efeito extasiante de uma boa leitura, resolvi tentar outro que coincidentemente também já havia assistido: O caçador de pipas. Outra paixão e uma descoberta: definitivamente, assim como DJs tem como objetivo mortal e pungente destruir músicas fazendo versões sintetizadas e horrendas, alguns filmes tem o cruel objetivo de estragar (sob o pretexto de adaptar) histórias e livros.
Dois livros, um lido em duas semanas, outro, em exatos sete dias. Duas delícias que estavam em minha estante mutante há algum tempo e eu nem havia me dado conta disso. Minha concepção sobre os Best-sellers mudou. Podem ser bons sim. Um aprendizado: arriscarei-me mais, sairei do óbvio das cantilenas fanáticas que criei. Lerei quando, em quanto tempo e o que eu quiser. Hoje me sinto subversivo ao meu próprio sistema. Burlando as leis e espero que seja o fim da morte da ditadura que me impus e do ditador que eu fui.

18/04/2011 12:43

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Escafandrista

Como um escafandrista que desce às profundezas, me sinto aprisionado num universo de incertezas, de lógicas tão ilógicas e plenas de si mesmas que a prisão de meu escafandro é claustrofóbica e aterrorizante, mas, ao mesmo tempo, é segura, solitária e apesar de toda a dificuldade, dentro dela consigo um pouco do silêncio que acho que preciso para uma existência tranqüila.
Muito tempo passei à deriva na superfície instável, oscilante. Olhando ao longe, no horizonte, a infinidade de formas, direções, possibilidades e medos, não me movi. Me mantive inerte, resoluto em minha própria condição estática e mutante. Jogando ao fundo as âncoras do desespero e ansiedade que, ao contrário, só me jogavam mais ao longe feitos velas infladas e impelidas pelos furacões da incapacidade e da tristeza.
Quando projetei o escafandro com seu isolamento acústico, o fiz reforçado nas juntas, seu visor, de vidro duplo. A mangueira que me prende ao oxigênio vital, forte e longa o suficiente para o fornecimento prolongado e eficiente. A armadura perfeita para o inóspito ambiente que ira desbravar: As profundezas de meu próprio ser. Meu próprio universo particular. Fechado dentro de mim mesmo, não mais a buscar portas, mas, lançado a busca do que de mais valioso pode haver dentro de cada um: nossa própria essência.

25/02/2011 11:19

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

terei não um zoológico
mas um cão
Não morarei em um sítio
Mas terei um onde verei a vida brotar
Terei não uma vontade
Mas uma realização
Terei não um desejo
Mas um objetivo cumprido
Terei não um sonho
Mas uma explosão onírica desajuizada
Por hora...
She's leaving home... bye bye

15/09/2010 at five o'clock

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Lembranças sempre
Tropeçando, correndo, cansando
Ofegantes do medo de lembrar
Do tudo-nada que se esconde
Entre os pilares da desconfiança
Lembranças sempre lembranças
Vivendo entre nada-tudo que se mostra
Emergindo do sacolejo sereno
Intrépido doce-amargo dos dias que se vão
Dias sempre anos
Levando embora o que um dia foi metade
De um todo que nem se vira inteiro
Dor sempre dor
Cicatrizando sorrisos que foram contidos
Por um adeus nunca dado
Dor sempre lembrança
Saudade

Fábyo R. Bayma
29/07/2010 08:12

terça-feira, 6 de julho de 2010

Na velocidade estonteante das horas
Não vou muito além de segundos
Que se amontoam na angústia dos dias
Resvalados na penosa marcha dos anos

Lancinantes gemidos de agrura
Serpenteiam a relva obscura
O que ocultam tais sussurros?
Surdo trote de ensandecido paladino

Rasga a bruma com lança em riste
Traçando a trajetória da perdição
Refletindo a lua em treva espelho

Runas enigmáticas revelam
O que simples palavras escamoteiam
Ecos de gritos nunca lançados
Na profundidade infinita da noite

Fábyo R. Bayma
06/05/2010 18:03

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Bom Proletário

No rítimo de "O bom menino", do Palhaço Carequinha, todo mundo cantanto, vamo lá!


Bom proletário não chega atrasado
Bom proletário não faz malcriação
Bom proletário faz sempre o que lhe mandam
Bom proletário aprende sempre a lição

Bom proletário respeita sempre os maiores
Bom proletário não agride a coleguinha
Papai do Céu protege bom proletário
Que obedece sempre à empresinha

Por isso eu peço muita atenção a todos os proletários
Muita atenção à ordem (ups!, ordem não que eu não sou chefe) ao conselho que eu vou dar

Olha aqui:
Cabinho não é amigo de proletário que não se conforma com a realidade tacanha que o mundo capitalista impõe.
E também não é amigo de proletário que rói unha matando o tempo que poderia estar aumentando a pança do patrão que chupa chupeta também!

Tá certo ou não tá?

Táaaaaaa

Eu obedeço sempre à empresinha
Então aceite os parabéns do palhaço proletário Cabinho

O bom proletário...

Olha aqui:
Cabinho só gosta de proletário que respeita a empresa, chefinho, chefinha e a diretora
E seja amiguinho, quase irmão (afinal, não é nossa segunda casa?) dos seus coleguinhas
Saia pro almoço na hora certa e durma no tempo que a empresa te dá (olha, ela dá! É mamãe ou não é? Éeeeeeee!)

Tá certo ou não tá?
Táaaaaaaaaa

Eu obedeço sempre à empresinha
Então aceite os parabéns do palhaço proletário Cabinho
Viva o bom proletário!
Vivaaaaa!

Fábyo R. Bayma
21/05/2010 09:08 (ih, eu já devia estar trabalhando!)