sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

blog de Fábyo R. Bayma, aqui ele escreve dizeres que ele julga poéticos. Aqui se expõe em versos. Ele vive. Isto não é uma lápide, mensagem telegrafica ou telegrama. É uma descrição "Nua e Crua" como o que ele escreve aqui. Usa a terceira pessoa agora por não estar se sentindo bem por se descrever de dentro de si. Ele, apesar de abominar a mentira, aqui, nem sempre fala a verdade. Aliás, aqui ele nunca fala, só escreve. Aqui ele se esconde atrás de significantes virtuais e foge da realidade confrontando-a visceral e repetitivamente.
Um blog fútil, sem sentido, sem valor literário. Um recanto, um esconderijo. Perdido, guardado como todas aquelas as coisas que tiramos do caminho, que entocamos, que colocamos dentro de armários escuros, entulhados. Um arquivo morto que vive, que cheira a naftalina, a formol, a ranço, a mofo. Um blog. Bem, é isso. É só isso.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Ando perdido entre o que devia fazer e não faço
E a vontade de não fazer nada
Frustra-me até o querer não querer.
O ter que querer de todo dia
Só não é mais chato que o querer e não ter da vida toda.
Frustra o dia que teima em nascer
Decepciona a noite que reluta em passar
Tédio: é como encaro a sucessão de horas, minutos, segundos
Bato cartão: quatro horas arando um solo malédico, fanho, estridente
Bato cartão: escorre pela costa a vontade de fugir
Bato cartão: quatro horas de regressiva contagem infinita
Bato cartão: a volta para a fuga sem norte e fim
Como alguém resume sua vida a isso?
Como pode alguém agüentar isso por mais de uma década?
Não compreendo como suporto o dia inteiro
Dói, só não sei onde e o que.
Não compreendo como um dia pode ser tão igual a outro
Não entendo como posso fugir quando algo pode mudar
Não entendo a dor e sequer consigo dizer que a sinto, que é real
Mas, afinal, o que é real?


Belém, 23 de fevereiro de 2010 11:49

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Nada é pior que o arrependimento
Dói até mais que saudade
Sentir arrependimento é chorar pelo amor que maltratamos
Arrependimento é fogo em brasa
É sentir a dor do próprio golpe
Revolve as entranhas
É dor a pleno galope
Quem bate no rosto de quem ama
Em solidão e silêncio é condenado a sofrer
Pela mão que arde contrita
Pelo peito selado feito cofre
Como pode então sobre tenra criatura viva
Recair tão torpe golpe?
Eis o peso tolo da ira
Que de fel resulta em profundo gole

“Dou ao diabo o bem estar que trazia”

Sou o arrependido que muito sofre

Belém, 22 de fevereiro 2010 18:00

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Para Thon-thon, com amor

Há milhões delas no mundo
Mas a minha é única no universo
Na infinidade de coisas e seres
Que tudo me contam, com tão pouco a dizer
Basta mergulhar nos olhos dela
E minha verdade emerge lânguida e veloz
Numa simplicidade flamejante
Iluminando o mundo...
Meu mundo!
Que é só, e o que mais importa
Que aqueles que dele fazem parte?
Em meu pequeno planeta,
Meus três vulcões fiz questão de não apagar
Nele minha flor reina absoluta
Única no universo
Minha flor, meu tesouro


Belém, 11/01/2010 10:21

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Decisão

Por que ter certeza?
Se na dúvida não me encontro
Se estou certo que não sei
Se me perco a cada vez que me acho
Se sempre acho por nunca estar certo
Tudo acho incompleto e imperfeito
Me disseram que da vida não sei o que quero
Que preciso saber o que desejar
Se de tudo que acham nada encontro
Hoje decidi não buscar mais certeza nenhuma
Incerto, incompleto, imperfeito: sou eu


Fábyo R. Bayma
06/01/2010 13:45

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Te vi em sonho
Teu corpo despudorado
Escondido apenas em minha onírica vergonha
Te olhava e não te escondias
Onde estávamos?
Onde além de dentro de mim te escondes?
Te vi em sonho
E hoje quando me falaste do viver
Acordei do sonho contrito
Em vigília de desejos
Cá estou aflito
Te desejando, te olhando
E, agora, contigo sonhando

02/12/2009 10:19


"Estala coração de vidro pintado"

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Madeixas amendoadas afloram
Sobre amorenada cútis se refestelam
Cantarolando brandos doces acaloram
Incendeiam seres gélidos que se admoestam

Ensandecida paixão obstante
Pronde caminhas tão hesitante?
Não libertas minha natureza relutante
Muito menos, satisfaz o ímpeto azucrinante

Aveludada melodia pueril
Por tão castos lábios entoada
Ecoam menos em peito primaveril
Já que mesmo a alma suspira arrebatada

Fábyo R. Bayma
26/11/2009 12:04