quarta-feira, 6 de julho de 2011

Eu finjo acreditar em sorrisos amarelos
De todos estes o único que ainda me sinto alegrar
É o sorriso amarelo solar
Mas, quando muito olho, ele me queima
Não que os outros não me queimem
Mas queimam muito pouco hoje em dia
Espero que amanhã de manhã queimem menos ainda

Eu finjo que não percebo o desvio de olhares
Sinto que a verdade que os olhares mostram
Não é dura, seca ou doída
É velha, rançosa, sem graça
Mostraria o quanto vazio são seus donos
O quão ocas suas origens
Às vezes, até evito olhar no espelho

Finjo ignorar a repugnante realidade:
Pessoas perdendo oportunidade de confraternizar
Se furtando de um simples olhar
Mas, confesso, elas me ajudam
Me fazem sentir bem já que pouco sinto vontade de falar
Se pouco sinto vontade de saber se de fato estão bem
No fim, acabo fazendo parte
Uma parte de um todo de conjuntos unitários
Um Arkanoide de olhares
Uns destruindo os outros

Fábyo R. Bayma
06/07/2011 09:49

terça-feira, 5 de julho de 2011

Indo na contramão eu percebo todos que vêm
Vejo todos, olho como se pudesse cumprimentar cada um
Mas não sei se todos me vêem
Para onde vão, de onde vieram eu não sei
De fato, não quero saber
Pois o enigmático e desconhecido morre no cotidiano de suas vidas
Quando chegam a destinos ordinários

Toda hora vejo o relógio que não cessa
Não pára de contar tudo o que fiz e o que deixei de fazer
Ele não me deixa esquecer de lembrar
A tv, muda, fala mais sobre o nada que mostra
Eu gosto assim, imagino que as imagens que vêm
São de um mundo que não o meu
Um mundo que não é "high-definition"
Que não é de um belo-exato artificial
Quisera eu poder apertar o "mute" quando ando na rua e das pessoas que vêm e vão
Quem sabe assim, andar na rua não seria uma experiência
"surdofônica" e 3D

Fábyo R. Bayma
05/07/2011 10:35

terça-feira, 17 de maio de 2011

fire in the hole!

Vou riscar da parede Teu nome
Para não permitir que o usem em vão
Gritar para o mundo orações silenciosas
Para ensurdecer ouvidos entupidos de mentiras
Sufocar as vozes esganiçadas que berram
Mentem, inventam e aventam coisas Tuas
Vou queimar as bandeiras, insígnias e templos
Tudo que remeta às verdades forjadas
Implodirei colunas erguidas sobre calúnia
Com a fúria que consome os séculos

Tudo o que não for puro e sublime perecerá
Tudo o que não for puro e sublime perecerá

Correrei nos campos tecidos pelas Tuas mãos
Carregando comigo só o que me Deste
Vivendo no mundo que me Deste
Da maneira como me Guiares

Tudo o que não for verdadeiro perecerá
Tudo o que não for verdadeiro perecerá

Darei graças pela vida a cada dia
Erguerei minha casa sobre a rocha
Nutrirei meus filhos com Tua glória

A vida frutificará conforme tua vontade
A vida perecerá conforme tua vontade

Eu perecerei, graças a Ti, eu perecerei
Me será a dada a glória mortal do fim
E até lá, esta é única certeza que me dás.

É isso mesmo?

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Quão Besta sellers fui

A visão das capas sempre muito bem ilustradas, estrategicamente exposto perto de caixas de supermercado e bancas de revista, papel de boa qualidade e um encadernamento igualmente caprichado, sempre foram uma tentação para mim, é verdade. Mas, quando pensava na quantidade sempre crescente de leituras que preciso e quero realizar tais como os clássicos, autores canonizados, sem falar das leituras técnicas. Nesses momentos de tentação, meu DOPS censurava: esse Best seller de aparência e fama atraente fica pra depois, pra um dia, quem sabe. Para o feriado do dia de São Nunca, muito provavelmente.
Pude então me dar conta que a leitura de um livro se configurava entre os muitos itens desencadeadores e propulsores de meu furacão de neurose e inércia. Instituí em meu sistema interno auto-regulador e tirânico que se fosse ler que lesse algo realmente bom. Algo com um valor realmente artístico, inegavelmente literário, pouco acessível, como que por uma imposição minha a mim mesmo, aprisionado em uma cela perdida em meu DOI-CODI particular, onde a regra era que a busca pela literatura, não seria só um prazer, mas, também uma obrigação. Mas, um dia me perguntei o por quê.
Onde está escrito o que é literatura e o que não é? Ainda não consigo definir e ficar com um discurso emprestado simplesmente por ter o que fixar em determinações internas, por hora, não me parece algo que realmente constitua um pensamento e mais ainda, uma verdade que eu possa ferrar em minha colcha de retalhos de couro curtido. Agora o que me importa é o prazer, seja assistindo a um programa de auditório, seja assistindo a uma das pérolas de Makhmalbaf. Aliás, por falar em cinema, lembro de um exemplo que vem bem a calhar: Godard é tudo, não é? Pode ser, mas, eu ainda não enxerguei esse “tudo”. Não estou pronto pra ele. Hoje, o prazer que Coppola me causa, por exemplo, isso sim é tudo, o meu tudo, pelo menos uma parte dele. E é exatamente neste ponto que encontrei um grande valor, o do reconhecimento da verdadeira experiência estética como sendo aquela que realmente faz valer o significado deste conceito e não aquilo que antes era minha lei, a qual rezava que o que já foi canonizado é que será o melhor independentemente dos olhos e do coração que a “consome”.
Há alguns anos, comprei numa feira de livros um exemplar português de “O livro do desassossego”, de Pessoa. Naquele momento eu tentei me entender com ele, mas, o fascínio não aconteceu. A narrativa não explodiu à minha frente e adiei a leitura. Lembro que me senti muito frustrado e, devido ao meu próprio desassossego– ainda no curso de letras – resolvi conversar com um professor o qual me ensinou que precisamos dar chance ao livro e não largá-lo logo. Dessa lição, aprendi que muito mais que dar chance ao livro, precisamos dar chance à voz de nosso coração poder dizer se aquele livro é adequado ou não naquele momento.
Tal reflexão me veio quando, depois de ter assistido ao filme Marley e eu, com o qual Roberta e eu ficamos bastante emocionados, resolvi comprar um exemplar do livro por nove dinheiros em uma liquidação do submarino. O tempo para iniciar a leitura foi enorme, vários meses. Hesitante e sob a sugestão mais que valiosa de meu amor, resolvi então iniciar. Uma surpresa: me apaixonei.
Surpreendido, e ainda sob o efeito extasiante de uma boa leitura, resolvi tentar outro que coincidentemente também já havia assistido: O caçador de pipas. Outra paixão e uma descoberta: definitivamente, assim como DJs tem como objetivo mortal e pungente destruir músicas fazendo versões sintetizadas e horrendas, alguns filmes tem o cruel objetivo de estragar (sob o pretexto de adaptar) histórias e livros.
Dois livros, um lido em duas semanas, outro, em exatos sete dias. Duas delícias que estavam em minha estante mutante há algum tempo e eu nem havia me dado conta disso. Minha concepção sobre os Best-sellers mudou. Podem ser bons sim. Um aprendizado: arriscarei-me mais, sairei do óbvio das cantilenas fanáticas que criei. Lerei quando, em quanto tempo e o que eu quiser. Hoje me sinto subversivo ao meu próprio sistema. Burlando as leis e espero que seja o fim da morte da ditadura que me impus e do ditador que eu fui.

18/04/2011 12:43

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Escafandrista

Como um escafandrista que desce às profundezas, me sinto aprisionado num universo de incertezas, de lógicas tão ilógicas e plenas de si mesmas que a prisão de meu escafandro é claustrofóbica e aterrorizante, mas, ao mesmo tempo, é segura, solitária e apesar de toda a dificuldade, dentro dela consigo um pouco do silêncio que acho que preciso para uma existência tranqüila.
Muito tempo passei à deriva na superfície instável, oscilante. Olhando ao longe, no horizonte, a infinidade de formas, direções, possibilidades e medos, não me movi. Me mantive inerte, resoluto em minha própria condição estática e mutante. Jogando ao fundo as âncoras do desespero e ansiedade que, ao contrário, só me jogavam mais ao longe feitos velas infladas e impelidas pelos furacões da incapacidade e da tristeza.
Quando projetei o escafandro com seu isolamento acústico, o fiz reforçado nas juntas, seu visor, de vidro duplo. A mangueira que me prende ao oxigênio vital, forte e longa o suficiente para o fornecimento prolongado e eficiente. A armadura perfeita para o inóspito ambiente que ira desbravar: As profundezas de meu próprio ser. Meu próprio universo particular. Fechado dentro de mim mesmo, não mais a buscar portas, mas, lançado a busca do que de mais valioso pode haver dentro de cada um: nossa própria essência.

25/02/2011 11:19

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

terei não um zoológico
mas um cão
Não morarei em um sítio
Mas terei um onde verei a vida brotar
Terei não uma vontade
Mas uma realização
Terei não um desejo
Mas um objetivo cumprido
Terei não um sonho
Mas uma explosão onírica desajuizada
Por hora...
She's leaving home... bye bye

15/09/2010 at five o'clock

quinta-feira, 29 de julho de 2010

Lembranças sempre
Tropeçando, correndo, cansando
Ofegantes do medo de lembrar
Do tudo-nada que se esconde
Entre os pilares da desconfiança
Lembranças sempre lembranças
Vivendo entre nada-tudo que se mostra
Emergindo do sacolejo sereno
Intrépido doce-amargo dos dias que se vão
Dias sempre anos
Levando embora o que um dia foi metade
De um todo que nem se vira inteiro
Dor sempre dor
Cicatrizando sorrisos que foram contidos
Por um adeus nunca dado
Dor sempre lembrança
Saudade

Fábyo R. Bayma
29/07/2010 08:12